segunda-feira, 24 de junho de 2013

Prato indigesto

     Quero começar meu texto hoje dizendo que o que a Dilma sente pela classe médica é a mesma coisa que uma certa comunista brasileira sente pela classe média.
Vocês ainda vão me ouvir falar muito dela.
   Hoje nós vimos, em pronunciamento, uma Dilma Rousseff mais cabisbaixa, gaguejante e hesitante, lendo um discurso redundante - me deixa até curioso se foi produzido por seus marqueteiros, como o outro foi. Suas palavras basicamente reiteraram o pronunciamento anterior, falando sobre transporte, educação, saúde e reforma política, só que dessa vez de forma mais branda, sem contar que ela falou como se não estivesse há dez anos participando do governo e tudo aquilo fosse novidade.
      A parte de tudo isso que mais chamou atenção foi, provavelmente, a última. Como o Rodrigo Constantino disse hoje, o que o Brasil precisa é de uma mudança gradual pra solidificar as bases democráticas. O desejo de Dilma vai de encontro a isso, o que deixou gente respeitável com medo, com argumentos convincentes. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ainda ontem tocou no assunto, falando sobre a dificuldade de reformas políticas no seu governo, que nunca eram aprovadas, e disse que a única parte do país que possui uma oposição ativa é o Congresso Nacional que, como disse o Reinaldo Azevedo, vai ser justamente a parte contornada por essa reforma. Além disso, Luís Roberto Barroso deixa bem claro que nenhuma ideia posta em debate no Brasil precisa de uma constituinte - quem dirá exclusiva!
Sorte nossa que um representante eleito nunca fez mal a ninguém.
      Eu mesmo já escrevi sobre como eu achava que voltaríamos ao lugar que começamos, mas tou achando que me enganei. O apartidarismo e a suposta ausência de lideranças desse movimento político, antes tratados como positivos mas agora vistos com receio, estão se mostrando cada vez mais nocivos e essa entidade efêmera está nos trazendo discursos mais radicais que buscam acalmar a fera.
Claro que isso nunca deu errado antes.
     Quanto ao que Dilma falou sobre saúde e educação, já falei sobre isso, inclusive sobre a importação de profissionais, e fico surpreso que diante de má recepção nacional desta última proposta ela tenha vindo falar novamente sobre o assunto. Sobre o transporte, o governo quer investir em meios de transportes falidos, ao invés de adotar a ideia de Randal O'Toole, por exemplo, de tirar as pessoas dos trilhos e tirar o frete das ruas, por que o transporte rodoviário é muito mais confortável e versátil e o frete ferroviário, mais barato e eficiente.
    O pronunciamento da presidente me deixa com medo. Medo de outra Constituição, medo de perder minha liberdade, medo de ver esse movimento louvável se tornando na maior junção de idiotas úteis de todas. Meu maior medo é, em suma, que a presidente Dilma Rousseff governe um país parecido ao que ela lutava para mudar na década de 70. Será que a Dilma de 1985 se orgulharia de Dilma de 2013?

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