O
Senador Cristóvam Buarque é historicamente aclamado por falar incessantemente
sobre educação – não mais que um sucessor do nem tão querido Leonel Brizola.
Fala tanto nisso, por sinal, que é conhecido pela supostamente revolucionária
ideia dos 10% do PIB para a educação, além de um ensino mais humano e
socializante nas escolas. Espero aqui poder dar um insight do porquê de eu
discordar inteiramente do nosso senador.
Comecemos
partindo de uma lógica simples: todo o país rico tem uma educação de qualidade,
então é cabível assumir que a educação é o que torna o país rico, certo? Muito pelo
contrário, é a riqueza do país que traz viabilidade à oferta de um sistema educacional
eficiente. Tomemos por exemplo a Coréia.
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| Não essa Coréia. |
O país optou,
primeiro, por um processo de industrialização rápida – com certeza com ajuda de
capital americano, mas não por “interesse estratégico” e sim por possuir um
mercado aberto – e, com a recém-construída indústria, captou recursos
suficientes para um investimento em educação. O mesmo com Singapura. E Hong
Kong. E Macau. Até mesmo o Chile precisou da doutrina dos Chicago Boys de
abertura econômica antes de passar a ter o sistema educacional que, longe de
ideal, ainda é o melhor da América Latina.
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| Já o Japão tá ficando sem coisas pra inventar. |
Não
me vem à mente sequer um país que tenha se desenvolvido de maneira eficiente recentemente
e seguido outro modelo. De maneira muito remota, temos a Escócia, salvo sério
engano meu o primeiro país a adotar um sistema estatal de educação, e ainda
assim quem mais se deu bem com isso foi a nação logo abaixo, a inglesa, que é a
criança descolada da Grã-Bretanha que não estudava pras provas, só colava dos
colegas do lado e ia melhor que eles no final do ano.
Mas
como eu disse em uma postagem anterior, o mais importante não é quanto, mas
como se investe. Uma coisa que muito pouca gente sabe é que o Brasil é um dos
países que mais investe em educação no planeta. Não, não tem piada aqui. A porcentagem
do PIB que o país investe é monstruosa – 5,7% do produto. Se 10% dele fosse
para educação, então, a terra que tem palmeiras onde canta o sabiá seria a
primeira do mundo, à frente dos assombrosos 7,8% investidos na pequena
Islândia. Então cadê o problema, ó Alá?
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| O sistema educacional palestino sofre hoje uma expansão explosiva. |
Vamos
voltar de novo aos nossos pares mais bem-sucedidos. O Reino da Prússia, o pai
da Alemanha, governava sobre uma terra pouco fértil. A única coisa que tinha lá
era gente, e eles resolveram fazer proveito disso. Ainda na primeira metade do
Século XIX, as universidades prussianas decidiram cortar o investimento na
área das ciências Sociais e Humanas e se focarem nas Naturais e Exatas. O
resultado? A nação que começou a se industrializar com cópias de máquinas
inglesas em poucas décadas produzia equipamento mais eficiente e produtivo. O
Japão foi o mesmo caso – em 1900, havia mais equipamento têxtil japonês no
mundo do que de qualquer outro país. Esse é o mesmo país que, em 1945, forçou
estudantes universitários a pilotarem caças contra porta-aviões
norte-americanos – mas não qualquer estudante, senão o estudante da área de
Humanas, que eles reconheciam como menos importante para o desenvolvimento
nacional. Essa foi a única vez que um diploma de História foi útil para uma
nação.
P.S.: Antes que me batam, não, eu não odeio a área das Humanas nem das Sociais, até por que eu mesmo estudo uma social – a Ciência Econômica.
No
Brasil, porém, há historicamente a ideia refletida pelo MEC que se deve criar
cidadãos críticos. Minha opinião é a seguinte: esses cidadãos críticos vão ser
ensinados a “pensar”, a “criticar” por um determinado viés. Isso não seria
problema em uma nação de ensino descentralizado, mas o MEC é conhecido por ser
bastante... canhoto. Mais que isso, se tem a intenção de se ensinar tudo na
escola. E eu digo literalmente tudo: orientação sexual, aulas contra bullying e
racismo, sobre saúde, duplo twist carpado, tudo. Isso é coisa que se aprende em
casa.
A
função da escola é, ao meu ver, nos dar uma série básica de habilidades para
que possamos trabalhar. É a escola que tem que se adaptar ao mercado de
trabalho, e não o contrário. Vejam só: o aluno coreano, que estuda doze, treze
horas por dia, não estuda só por cultura ou pressão. Ele estuda por que aquilo
vai garantir pra ele uma vida longa e próspera.
No
Brasil, não temos que conscientizar a estudar por que isso vai enriquecer as
classes baixas. Não vai. O currículo escolar não vai facilitar a vida da
família deles, pelo contrário. Pra uma família realmente pobre, um filho na
escola não é um “investimento no futuro” – é uma pessoa a menos trabalhando, é
menos comida na mesa, é mais dificuldade, e no final quando ele sair de lá ele
vai terminar nas mesmas condições que os pais iletrados dele, por que ele sabe
quem é Locke e Rousseau mas não sabe nada de matemática financeira e não pode
nem fazer um curso técnico por que Física é algo vindo de outro mundo.
O
que eu quero dizer com tudo isso é que precisamos decidir um foco
com a educação. Não só defendo a descentralização do ensino como uma mudança
curricular que sirva os interesses do mercado de trabalho, não aos interesses
de intelectuais em torres de marfim, que acreditam que sabem como mudar o mundo
mas não conseguiriam um tostão fora da área acadêmica. Uma nação assim está
fadada à pobreza, afinal, queremos seguir o exemplo dos países ricos ou
deixaremos que continuem nos levando a um destino fracassado?




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