domingo, 23 de junho de 2013

Uma receita que não agradará todos

          O Senador Cristóvam Buarque é historicamente aclamado por falar incessantemente sobre educação – não mais que um sucessor do nem tão querido Leonel Brizola. Fala tanto nisso, por sinal, que é conhecido pela supostamente revolucionária ideia dos 10% do PIB para a educação, além de um ensino mais humano e socializante nas escolas. Espero aqui poder dar um insight do porquê de eu discordar inteiramente do nosso senador.
           Comecemos partindo de uma lógica simples: todo o país rico tem uma educação de qualidade, então é cabível assumir que a educação é o que torna o país rico, certo? Muito pelo contrário, é a riqueza do país que traz viabilidade à oferta de um sistema educacional eficiente. Tomemos por exemplo a Coréia.
Não essa Coréia.
O país optou, primeiro, por um processo de industrialização rápida – com certeza com ajuda de capital americano, mas não por “interesse estratégico” e sim por possuir um mercado aberto – e, com a recém-construída indústria, captou recursos suficientes para um investimento em educação. O mesmo com Singapura. E Hong Kong. E Macau. Até mesmo o Chile precisou da doutrina dos Chicago Boys de abertura econômica antes de passar a ter o sistema educacional que, longe de ideal, ainda é o melhor da América Latina.
            
Já o Japão tá ficando sem coisas pra inventar.
         Não me vem à mente sequer um país que tenha se desenvolvido de maneira eficiente recentemente e seguido outro modelo. De maneira muito remota, temos a Escócia, salvo sério engano meu o primeiro país a adotar um sistema estatal de educação, e ainda assim quem mais se deu bem com isso foi a nação logo abaixo, a inglesa, que é a criança descolada da Grã-Bretanha que não estudava pras provas, só colava dos colegas do lado e ia melhor que eles no final do ano.
       Mas como eu disse em uma postagem anterior, o mais importante não é quanto, mas como se investe. Uma coisa que muito pouca gente sabe é que o Brasil é um dos países que mais investe em educação no planeta. Não, não tem piada aqui. A porcentagem do PIB que o país investe é monstruosa – 5,7% do produto. Se 10% dele fosse para educação, então, a terra que tem palmeiras onde canta o sabiá seria a primeira do mundo, à frente dos assombrosos 7,8% investidos na pequena Islândia. Então cadê o problema, ó Alá?
                
O sistema educacional palestino sofre hoje uma expansão explosiva.
      Vamos voltar de novo aos nossos pares mais bem-sucedidos. O Reino da Prússia, o pai da Alemanha, governava sobre uma terra pouco fértil. A única coisa que tinha lá era gente, e eles resolveram fazer proveito disso. Ainda na primeira metade do Século XIX, as universidades prussianas decidiram cortar o investimento na área das ciências Sociais e Humanas e se focarem nas Naturais e Exatas. O resultado? A nação que começou a se industrializar com cópias de máquinas inglesas em poucas décadas produzia equipamento mais eficiente e produtivo. O Japão foi o mesmo caso – em 1900, havia mais equipamento têxtil japonês no mundo do que de qualquer outro país. Esse é o mesmo país que, em 1945, forçou estudantes universitários a pilotarem caças contra porta-aviões norte-americanos – mas não qualquer estudante, senão o estudante da área de Humanas, que eles reconheciam como menos importante para o desenvolvimento nacional. Essa foi a única vez que um diploma de História foi útil para uma nação.
P.S.: Antes que me batam, não, eu não odeio a área das Humanas nem das Sociais, até por que eu mesmo estudo uma social – a Ciência Econômica. 
      No Brasil, porém, há historicamente a ideia refletida pelo MEC que se deve criar cidadãos críticos. Minha opinião é a seguinte: esses cidadãos críticos vão ser ensinados a “pensar”, a “criticar” por um determinado viés. Isso não seria problema em uma nação de ensino descentralizado, mas o MEC é conhecido por ser bastante... canhoto. Mais que isso, se tem a intenção de se ensinar tudo na escola. E eu digo literalmente tudo: orientação sexual, aulas contra bullying e racismo, sobre saúde, duplo twist carpado, tudo. Isso é coisa que se aprende em casa.
      A função da escola é, ao meu ver, nos dar uma série básica de habilidades para que possamos trabalhar. É a escola que tem que se adaptar ao mercado de trabalho, e não o contrário. Vejam só: o aluno coreano, que estuda doze, treze horas por dia, não estuda só por cultura ou pressão. Ele estuda por que aquilo vai garantir pra ele uma vida longa e próspera.
                
        No Brasil, não temos que conscientizar a estudar por que isso vai enriquecer as classes baixas. Não vai. O currículo escolar não vai facilitar a vida da família deles, pelo contrário. Pra uma família realmente pobre, um filho na escola não é um “investimento no futuro” – é uma pessoa a menos trabalhando, é menos comida na mesa, é mais dificuldade, e no final quando ele sair de lá ele vai terminar nas mesmas condições que os pais iletrados dele, por que ele sabe quem é Locke e Rousseau mas não sabe nada de matemática financeira e não pode nem fazer um curso técnico por que Física é algo vindo de outro mundo.
        O que eu quero dizer com tudo isso é que precisamos decidir um foco com a educação. Não só defendo a descentralização do ensino como uma mudança curricular que sirva os interesses do mercado de trabalho, não aos interesses de intelectuais em torres de marfim, que acreditam que sabem como mudar o mundo mas não conseguiriam um tostão fora da área acadêmica. Uma nação assim está fadada à pobreza, afinal, queremos seguir o exemplo dos países ricos ou deixaremos que continuem nos levando a um destino fracassado?

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